sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Livre

Hoje acordei com uma estranha vontade de sorrir
Como se o Sol que me disse bom dia tivesse levado a chuva que sujou
Tornando livre o coração e prendendo-o ao que há-de vir
Expiado de pecados de alma e sem fel na vontade que findou

A verdade é que se erra por excesso de presunção
De tanto querer o que não foi nem tinha que ser
Quando bem menos que vento se colocou na nossa mão
E menos ainda haver a perder.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pensamento do meu dia


Ainda estou para perceber porque não sublimo o meu impulso de fazer coisas estúpidas que não gosto nem se adequam a mim...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Estranho


Hoje acordei com uma estranha aversão mas a ninguém
Talvez a mim ou a uma ideia ou a um sentido
Por me terem assaltado a alma à mão armada e eu feliz
E nada fiz senão perder-me na imagem que fiz
De um dia ou um momento o amanhã sempre presente
Naquela incerta ilusão de acreditar enquanto podemos
Mais vale abraçar um sorriso em flash do que coisa nenhuma
Mais vale sonhar do que ficar preso a uma auto-comiseração pateta
Sou. Logo existo. Por isso erro. Ausento-me. Consinto.
No eterno regresso à simplicidade de acreditar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Fake Palindromes"- Andrew Bird


Hoje apetece-me.

Peter Murphy


A torrente deste som levou-me as palavras...
A vida não é boa nem má. Bem, há coisas boas e outras menos boas que nos levam a pensar duas vezes na questão, mas no fundo tudo depende da forma como as encaramos. Nada é absoluto.
E se um regresso à "idade da parvalheira" nos faz cair em pecados antigos também nos traz à memória sonoridades de que já não nos lembrava-mos.
Peter Murphy soa-me estranhamente actual. Pode ser que um dia cresça e deixe de me incomodar com uma cama poligâmica. Ou será antes um sofá monocromático? Ou uma parede policrómica? Mas de que é que eu estou para aqui a falar?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

EVERYWHEN-MASSIVE ATTACK


Ás vezes pergunto-me se a vida é ou não circular. Só assim se explica que aquilo que vamos aprendendo e apreendendo ao longo da vida se mostra por vezes inútil e o nosso pragmatismo mero fait-divers enfiado na algibeira por razões que a minha razão desconhece. Tipo umas botas que comprei em saldos num outlet de uma "marca" nacional desconhecida por 15 euros que não eram nem pareciam grande coisa e que eu sabia que me iam magoar os pés. Mas mesmo assim comprei e dei umas voltas só para constatar que não as devia ter comprado. O que, a bom ver, eu já sabia.
Um "ataque massivo" de estupidez fez-me cair no logro que eu próprio criei. Não há volta a dar: o que não presta nunca vai prestar. Ainda estou para perceber porque paguei por uma coisa que muitos outros, com critérios bem mais flexíveis do que os meus, nem oferecido queriam.
De vez em quando dá-me para isto.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Linda Martini - As Putas Dançam Slows


Nunca percebi o porquê de num país tão pequeno quanto o nosso se persistir em deixar o talento e a qualidade de muitos no ocaso quando despudoradamente se promove um populismo bacoco e idiota ou uma qualquer mixórdia sonora estrangeira que nada cria, nada inova, nada acrescenta.
Ao invés, faz-nos menos. Menos conscientes daquilo que, com vontade, conseguimos produzir. A música é só um exemplo.